domingo, 31 de maio de 2009

A zona de desenvolvimento proximal

Olá, sempre tive a curiosidade de entender do que se tratava realmente o conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal. Hoje encontrei estas informações e resolvi repassa-las no blog.
Espero que possa se util, ou ao menos instrutivo!

Vygotsky se preocupou muito com a questão, clássica na Psicologia: qual a influência da aprendizagem no desenvolvimento mental da criança? Ao tempo em que Vygotsky realizou seus estudos três escolas disputavam a preferência dos psicólogos.
A primeira dessas escolas considerava que a aprendizagem deve seguir o desenvolvimento dos alunos. O papel do professor seria o de identificar adequadamente o estágio de desenvolvimento do aprendiz e programar a aprendizagem de acordo com este estágio. Para esta escola o desenvolvimento é um processo de maturação natural e a aprendizagem nada pode fazer para acelerar este processo. Os trabalhos de Piaget se enquadrariam dentro desta categoria.
Observe-se no entanto, que o Piaget que Vygotsky conhece é o Piaget jovem, dos primeiros trabalhos.
Sempre é bom lembrar que Piaget não tinha a escola como sua preocupação.

Um segundo grupo de psicólogos considerava como sinônimos aprendizagem e desenvolvimento, identificando mesmo um com o outro. Dentro desta escola podemos enquadrar os comportamentalistas.

Uma terceira escola tentava juntar as duas posições antagônicas, por achar que não eram tão antagônicas assim. A Gestalt se enquadra nessa terceira posição teórica.

Vygotsky não concorda com nenhuma das três posições e argumenta que:
1. O desenvolvimento das bases psicológicas para o aprendizado de matérias básicas não precede esse aprendizado, mas se desenvolve numa interação contínua com as suas contribuições.
2. O aprendizado precede o desenvolvimento em muitas áreas.
3. O aprendizado de uma matéria influencia o desenvolvimento das funções superiores para além dos limites da matéria específica.

Vygotsky chama a atenção para o fato de que as relações entre conceitos são relações de generalidade, com o nível de generalização atual sendo construído sobre o nível de generalização precedente. Assim, o conceito científico exige a existência de um sistema de generalização enquanto que o conceito cotidiano prescinde desse sistema.
Outro ponto para o qual Vygotsky chama a atenção é a existência de uma história que precede cada situação de aprendizagem. O aluno ao entrar na escola já possui uma aritmética ou uma geometria não sendo portanto uma tábula rasa sobre a qual o professor e o ensino deixarão a sua marca.
A partir dessa diferenciação entre conceitos espontâneos e conceitos científicos vemos que a aprendizagem possui uma natureza diferente quando acontece dentro da escola em relação à situação externa à escola. Essa diferença para Vygotsky não pode ser explicada somente pelo caráter sistemático da aprendizagem conceitual científica.
Para sair desse impasse, Vygotsky desenvolve dois conceitos chave. Ao primeiro chama de Zona de Desenvolvimento Real (ZDR) e ao segundo Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP).
A Zona de Desenvolvimento Real compreende aquelas funções psíquicas já dominadas pelo sujeito. É esta região que é explorada pelos testes. Nela estão aquelas habilidades já dominadas pelo sujeito. Para os adeptos da teoria pela qual o desenvolvimento precede a aprendizagem é o lugar onde o professor e o sistema de ensino devem trabalhar.
A Zona de Desenvolvimento Proximal, por outro lado, indica aquele conjunto de habilidades onde o sujeito pode ter sucesso se assistido por uma adulto ou alguém mais experiente. É nessa região que estão as habilidades ainda em desenvolvimento pelo sujeito. Se pegarmos duas crianças que apresentem a mesma ZDR ambos poderão ter graus diferentes de sucesso na solução de problemas assistidos. As habilidades nas quais as crianças apresentam sucesso na solução de problemas assistidos serão aquelas onde o sujeito poderá ter sucesso sozinho depois de algum tempo, se o desenvolvimento seguir o seu curso normal. Deste modo, para Vygotsky, a região onde a escola deve trabalhar é a da ZDP de modo a alavancar o processo de desenvolvimento dessas funções.

sábado, 16 de maio de 2009

A menina e o pássaro encantado

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

* * *

Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…

As mais belas histórias de Rubem Alves


quarta-feira, 13 de maio de 2009

Teatro e música ajudando a educação!


Utilizar a música e a dramatização são ótimos recursos pedagógicos na formação de cidadãos críticos, autônomos, participativos enfim capazes de articular os conhecimentos com a vida cotidiana, transformando sua realidade. Sem contar que a memorização de pequenas falas e letras simples de músicas são um exercício prazeroso e que desenvolve na criança a capacidade de interação.
Pensando assim desenvolvi uma atividade teatral à ser realizada pelas crianças do maternal da Creche Comunitária de Quatis, onde trabalho atualmente. Tal atividade consistia na interpretação de uma música (Linda Rosa Juvenil) pelas crianças, para ser apresentada na comemoração do aniversário de Quatis.
É impressionante a facilidade e desempenho dos pequenos para este tipo de atividade!

Relação Família X Escola


Apesar de existirem dados que evidenciam a importância da relação entre a família e a escola, alguns estudos demonstram um desalinhamento de crenças e valores entre esses dois sistemas (AQUINO, 1997; ESCAME, 2002). Esses estudos apontam a existência de um crescente anacronismo entre o que a escola oferece e as demandas das famílias na atualidade (WAGNER; COFFI; GUIMARÃES; RODRIGUES, 1995).
Outros estudos evideciam os vários benefícios resultantes de uma maior colaboração entre pais e professores (BECHER, 1984; COMER, 1980; HENDERSON, 1987). Os pais que possuem um maior envolvimento na vida acadêmica de seus filhos desenvolvem uma atitude mais positiva em relação à escola e tendem a melhorar a relação com os filhos (BECHER, 1984). Da mesma forma, quando essa relação é exitosa, evidência-se uma melhora no rendimento escolar, a diminuição de faltas e repetência e uma redução dos problemas de comportamento (HENDERSON, 1987; COMER, 1980). Por outro lado, elos fracos entre a família e a escola e professores despreparados representam risco para o desenvolvimento, bem como ao processo de ensino-aprendizagem (LISBOA, 2001; OETTING; DONNERMEYER, 1998).

terça-feira, 12 de maio de 2009

Grandes obras na educação infantil

Olá!

Nesta primeira postagem escolhi falar sobre a inserção de textos literários clássicos nos primeiros segmentos do ensino fundamental. Considero isso muito importante pois ajudaria na compreensão e no desenvolvimento do gosto pela leitura, fatores que estão em falta atualmente em nossas escolas. Sei que a primeira vista pode parecer, para muitos, uma idéia absurda usar textos de autores extremamente complexos logo no início da formação do leitor. Mas como disse Albert Einstein "Se, a princípio, a idéia não é absurda, então não há esperança para ela.".
Não estou dizendo para que entreguemos um "Dom Casmurro" nas mãos de nossos pequenos alunos para que leiam e compreendam tudo. Uma idéia mais plausível seria, tendo como exemplo Machado de Assis a utilização de seus contos. Os quais não são tão extensos e tratam de assuntos rotineiros e compreensíveis, mesmo que de épocas diferentes (Para quem tiver interesse há uma matéria detalhada sobre a utilização de textos de Machado de Assis nas séries iniciais na Revista Nova Escola nº 215 de setembro de 2008.).
Outro autor interessante é Monteiro Lobato, em seu livro "Fábulas" é criado um ambiente de leitura prazeroso, com diversas histórias sendo todas concisas e interessantes. Uma proposta interessante para este livro é fazer com que grupos de alunos escolham uma fábula para apresentarem da forma que acharem melhor, com fantoches, narrações, poesias, dramatizações, etc.
Espero que tenham gostado, em breve postarei mais informações!